
O Boletim Focus divulgado nesta semana, com referência a 18 de setembro de 2026, mostrou um mercado em compasso de espera, com ajustes marginais nas principais projeções. A estimativa de inflação (IPCA) para o fim de 2026 avançou de 4,90% para 4,92%, mantendo-se bem acima do centro da meta oficial de 3% e próxima ao teto da banda tolerada. Para 2027, a projeção está em 4,30%, indicando que o mercado não espera que a inflação se aproxime da meta tão cedo.
No campo da atividade econômica, a projeção de crescimento do PIB para 2026 recuou de 1,89% para 1,88%, uma revisão pequena, mas que aponta para um leve esfriamento nas expectativas. Para 2027, o mercado projeta expansão de apenas 1,43%, sugerindo que os juros ainda elevados continuam pesando sobre a economia. O câmbio projetado para o fim de 2026 ficou estável em R$ 5,20, sem pressão adicional sobre o real.
O principal sinal positivo da semana veio da expectativa para a taxa Selic: o mercado passou a projetar 13,50% ao final de 2026, ante 13,75% na semana anterior. Isso significa que os agentes financeiros passaram a antecipar mais um corte de 0,25 ponto percentual nos juros até dezembro, em linha com o ciclo gradual de redução conduzido pelo Banco Central. A tensão, porém, existe: com a inflação ainda longe da meta, o espaço para cortes além do que já está precificado é limitado.
Para os mercados, a perspectiva de mais um corte na Selic é vista como levemente positiva para a bolsa, mas o crescimento mais fraco e a inflação persistente contêm o otimismo. Nos juros futuros, a expectativa é de que os vencimentos mais curtos reflitam a queda projetada na Selic, enquanto os prazos mais longos podem permanecer pressionados pelo risco inflacionário em 2027. O dólar, sem revisão no câmbio projetado, não apresenta tendência clara de alta ou queda no curto prazo.
Na próxima semana, o mercado acompanha dados de inflação como IPCA-15 e IGPs, indicadores de atividade, vendas no varejo e produção industrial, além de eventuais sinalizações de membros do Copom sobre o ritmo dos próximos cortes. A leitura do Focus seguinte também será monitorada para verificar se a projeção da Selic terminal continua recuando ou se estabiliza diante da inflação ainda elevada.





