IPCA acima do esperado e sinais de saída de capital estrangeiro pesaram sobre o pregão; petróleo Brent avançou mais de 1% com tensões no Oriente Médio.

O mercado brasileiro encerrou o pregão desta quinta-feira sob forte pressão: o Ibovespa recuou expressivamente, marcando a mínima desde o início do ano, enquanto o dólar saltou mais de 1%, aproximando-se de R$ 5,17. O principal gatilho doméstico foi a divulgação do IPCA acima do esperado, que alimentou preocupações sobre o ciclo de juros e agravou o movimento de saída de capital estrangeiro da bolsa.

IPCA acima do esperado pressiona juros e derruba bolsa

A leitura do IPCA acima das estimativas do mercado foi o estopim da sessão. O dado reforça o cenário de persistência inflacionária e eleva a percepção de que o Banco Central terá menos espaço para flexibilizar a política monetária, o que penaliza ativos de risco e favorece a busca por proteção cambial. O movimento reflete um ajuste mais amplo nas expectativas para a trajetória da Selic nos próximos meses.

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Ativo Variação Valor
Dólar ▲ 1,27% 5,172
Ibovespa ▼ 2,50% 167.875
Dow Jones ▼ 0,34% 53.792
S&P 500 ▼ 0,32% 7.728
Nasdaq ▼ 0,60% 26.445
Stoxx 600 ▼ 0,02% 660,51
FTSE 100 ▼ 0,17% 10.844
Petróleo Brent ▲ 1,45% 88,95
Bitcoin ▼ 0,48% 63.605
T-Note 10 anos (yield) ▼ 0,32% 4,684

Às 18h30 (Horário de Brasília)11/08/2026

Saída de estrangeiros pressiona Ibovespa à mínima do ano

O índice atingiu o menor patamar desde janeiro em meio a sinais de desinvestimento por parte de estrangeiros, fluxo que tem pesado de forma recorrente nas últimas sessões. O cenário fiscal também contribuiu para o tom negativo: circulam nos bastidores discussões sobre uma regra fiscal que aperte ainda mais o controle de gastos quando a dívida pública superar determinados limites, o que gera incerteza sobre o ritmo da atividade econômica adiante.

Wall Street recua com Oriente Médio e véspera do CPI americano

As bolsas de Nova York também fecharam no vermelho, pressionadas pelo impasse no Oriente Médio e pela cautela dos investidores antes da divulgação do CPI, índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, prevista para os próximos dias. O movimento, embora moderado nos índices americanos, amplificou o apetite por dólar globalmente e ajudou a sustentar a alta da moeda americana também no Brasil. O petróleo Brent avançou mais de 1%, reagindo às tensões geopolíticas.

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Ações de siderúrgicas e Natura no radar corporativo

No campo corporativo, papéis de Usiminas e Gerdau desabaram após corte de recomendações pelo Itaú BBA, que passou a ver perspectivas menos favoráveis para o setor siderúrgico. Na direção contrária, a Natura (NATU3) operou em alta de 1,5% após apresentar resultado do segundo trimestre acima das baixas expectativas do mercado. O PagBank, por sua vez, divulgou lucro recorrente de R$ 576 milhões no mesmo período, conforme informado pelo Valor Econômico.

O pregão desta quinta deixa o mercado brasileiro em posição de atenção para as próximas sessões: a combinação de pressão inflacionária doméstica, fluxo externo negativo e incertezas geopolíticas compõe um pano de fundo desafiador. A divulgação do CPI americano será o principal termômetro externo a guiar o humor dos investidores no próximo pregão.