Recompra de títulos pelo Tesouro dos EUA derrubou yields e favoreceu ativos de risco globalmente, com bitcoin acumulando alta superior a 7% no dia.
O Ibovespa fechou em alta nesta sessão, abrindo o mês de agosto com sinal positivo após sequência de perdas. O dólar cedeu de forma expressiva, aproximando-se de R$ 5,17, movimento diretamente ligado à queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA após o anúncio de ampliação das operações de recompra de Treasuries. O alívio nos juros americanos funcionou como gatilho para ativos de risco em escala global, beneficiando tanto a bolsa brasileira quanto outras classes de ativos.
Recompra de Treasuries alivia juros e move mercados
A decisão do Tesouro dos EUA de ampliar o programa de recompra de títulos públicos foi o evento central do dia. A medida reduziu a pressão sobre os yields dos Treasuries, o juro da T-Note de 10 anos caiu mais de 1%, sinalizando menor oferta de papéis longos no mercado secundário. O efeito cascata favoreceu ativos de risco em escala global: a queda nos rendimentos americanos aliviou a aversão ao risco e impulsionou tanto as bolsas quanto moedas emergentes frente ao dólar, explicando diretamente a valorização do Ibovespa e o recuo do câmbio no Brasil.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Dólar | ▼ 0,87% | 5,168 |
| Ibovespa | ▲ 0,90% | 167.830 |
| Dow Jones | ▲ 0,22% | 53.463 |
| S&P 500 | ▲ 0,21% | 7.708 |
| Nasdaq | ▲ 0,16% | 26.331 |
| Stoxx 600 | ▼ 0,16% | 651,16 |
| FTSE 100 | ▲ 0,14% | 10.743 |
| Petróleo Brent | ▼ 0,02% | 91,57 |
| Bitcoin | ▲ 7,56% | 69.570 |
| T-Note 10 anos (yield) | ▼ 1,13% | 4,653 |
Às 18h30 (Horário de Brasília)19/08/2026
Ata do Fed reforça cautela, mas mercado absorve bem
A divulgação da ata do FOMC revelou que o apoio interno ao último ciclo de alta de juros foi mais amplo do que os três votos dissidentes sugeriram, e que dirigentes discutiram riscos financeiros associados à exposição a Treasuries e ao avanço da inteligência artificial. Ainda assim, o mercado reagiu com relativa tranquilidade ao documento, uma vez que o alívio promovido pela recompra de títulos já havia dominado o sentimento da sessão. As taxas dos DIs domésticos acompanharam a queda dos yields americanos e fecharam em baixa.
Bitcoin dispara mais de 7% com vento a favor dos ativos de risco
O ambiente de queda nos juros americanos impulsionou o bitcoin a superar a marca de US$ 68 mil durante o pregão, acumulando valorização superior a 7% no dia, a maior entre os ativos monitorados na sessão. O movimento reflete a sensibilidade da criptomoeda ao apetite por risco global: em dias de alívio nos yields dos Treasuries, ativos especulativos tendem a concentrar fluxo de entrada. Declarações de Donald Trump cobrando aprovação de um marco regulatório para criptomoedas nos EUA também mantiveram o tema no radar, segundo o Valor Econômico.
Moderna dobra de valor e puxa setor de saúde em Wall Street
Nas bolsas americanas, o destaque setorial ficou com a saúde: as ações da Moderna dobraram de valor após resultados positivos de teste de vacina contra melanoma, em parceria com a Merck. O movimento impulsionou o setor e contribuiu para o avanço moderado de Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq na sessão. Na Europa, o Stoxx 600 encerrou com leve queda, sem seguir integralmente o otimismo americano, em parte pelo peso de dados regionais que ainda sinalizam desaceleração econômica.
O pregão desta quarta-feira mostrou que o mercado brasileiro segue altamente sensível ao comportamento dos juros americanos: um único movimento de política de dívida do Tesouro dos EUA foi suficiente para reverter o humor negativo que marcava agosto. Para os próximos pregões, o mercado deverá continuar monitorando os desdobramentos da política monetária americana e eventuais sinais do ambiente fiscal doméstico, que permanecem como variáveis de fundo para o Ibovespa e o câmbio.





