Índice acumula perda superior a 3% na semana, pressionado por saída de capital estrangeiro e balanços mistos de empresas locais.

O Ibovespa fechou a sessão em queda relevante, enquanto o dólar recuou frente ao real após o payroll americano de julho vir abaixo das expectativas, sinalizando um Federal Reserve potencialmente menos pressionado a manter juros elevados. O movimento contrasta com Wall Street, que operou em alta firme no dia, evidenciando um descolamento do mercado brasileiro impulsionado por fatores domésticos e saída de capital externo.

Payroll fraco nos EUA favorece bolsas americanas, não o Brasil

Os dados de emprego nos EUA abaixo do esperado foram lidos como sinal de arrefecimento da economia americana, reduzindo a percepção de que o Fed precisará manter uma postura mais agressiva nos juros. O efeito direto foi positivo para Wall Street, com o Nasdaq liderando os ganhos, e derrubou os yields dos Treasuries de 10 anos. No mercado doméstico, porém, o alívio externo não se traduziu em compras: o fluxo de saída de investidores estrangeiros do Ibovespa pesou sobre o índice ao longo de toda a sessão, que acumula queda expressiva na semana.

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Ativo Variação Valor
Dólar ▼ 0,54% 5,082
Ibovespa ▼ 1,73% 172.513
Dow Jones ▲ 0,28% 54.037
S&P 500 ▲ 0,62% 7.758
Nasdaq ▲ 1,30% 26.691
Stoxx 600 ▲ 0,23% 660,25
FTSE 100 ▲ 0,31% 10.901
Petróleo Brent ▼ 1,41% 82,27
Bitcoin ▲ 1,08% 64.963
T-Note 10 anos (yield) ▼ 0,21% 4,660

Às 18h30 (Horário de Brasília)07/08/2026

Balanços corporativos dividem o mercado: disparadas e desabamentos

A temporada de resultados do segundo trimestre concentrou movimentos intensos em papéis individuais. Alpargatas (ALPA4) e Fleury (FLRY3) dispararam mais de 10% e quase 10%, respectivamente, após balanços que superaram expectativas. No lado oposto, Energisa (ENGI11) despencou cerca de 5% e Renner (LREN3) desabou aproximadamente 8% após a varejista cortar seu guidance e reportar vendas abaixo do esperado no trimestre. Magazine Luiza (MGLU3) também operou em queda de quase 4%, com resultado considerado fraco, embora o mercado tenha monitorado de perto os indicadores de rentabilidade da companhia.

Petróleo recua e pressiona setor; bitcoin se recupera no dia

O petróleo Brent fechou em queda superior a 1%, o que contribuiu para pressionar papéis ligados ao setor de energia no mercado doméstico. No campo dos ativos digitais, o bitcoin avançou cerca de 1%, operando próximo aos US$ 65 mil, em movimento favorecido pelo ambiente de juros futuros mais baixos nos EUA após o payroll. As taxas dos contratos de DI também cederam no mercado local, refletindo o mesmo gatilho externo.

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Fluxo estrangeiro e fiscal: pressão que não arrefeceu

Segundo o InfoMoney, a queda semanal acumulada do Ibovespa superior a 3% tem como pano de fundo uma combinação de saída de capital estrangeiro e ruído em torno do cenário fiscal doméstico. O movimento, que o mercado convencionou chamar de ‘debandada dos gringos’, reflete a percepção de risco-Brasil elevado diante de incertezas políticas e fiscais, que permanecem no radar mesmo em dias em que o exterior oferece algum alívio.

O pregão desta sexta fecha uma semana de pressão relevante sobre os ativos brasileiros, com o Ibovespa entre os índices de maior queda no período. Na próxima sessão, o mercado seguirá monitorando o fluxo externo, os desdobramentos da temporada de balanços do segundo trimestre, ainda com diversas empresas a reportar, e eventuais sinais da política monetária americana após o payroll de hoje.