Risco eleitoral doméstico e revogação de visto da embaixadora brasileira nos EUA pesaram sobre o mercado local, descolando o Ibovespa de NY.
O Ibovespa fechou o pregão com variação marginal negativa, descolando de forma expressiva de Wall Street, que registrou alta robusta e novos recordes no S&P 500 e no Dow Jones. O dólar avançou, pressionado pela escalada de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e pelo aumento da percepção de risco político doméstico. O cenário externo favorável foi insuficiente para compensar os vetores negativos locais.
Risco político e diplomático pesam sobre o real
O principal freio ao mercado brasileiro veio de dois fatores domésticos combinados: a piora na percepção de risco eleitoral, que fez os juros futuros subirem ao longo do dia, e a revogação pelo governo Trump do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos. O episódio diplomático alimentou o temor de novas sanções americanas ao país, levando o dólar a operar em alta durante toda a sessão. O movimento nos juros futuros, segundo o Valor Econômico, refletiu o quadro político local, com investidores buscando prêmio adicional de risco.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Dólar | ▲ 0,69% | 5,124 |
| Ibovespa | ▼ 0,06% | 177.895 |
| Dow Jones | ▲ 1,71% | 54.086 |
| S&P 500 | ▲ 1,79% | 7.737 |
| Nasdaq | ▲ 2,59% | 26.585 |
| Stoxx 600 | ▲ 0,74% | 656,86 |
| FTSE 100 | ▲ 0,20% | 10.879 |
| Petróleo Brent | ▼ 7,47% | 78,69 |
| Bitcoin | ▲ 1,16% | 64.203 |
| T-Note 10 anos (yield) | ▼ 1,26% | 4,627 |
Às 18h30 (Horário de Brasília)04/08/2026
Wall Street renova recordes com reabertura do Estreito de Ormuz
Do lado externo, o dia foi de euforia nas bolsas americanas. O S&P 500 e o Dow Jones atingiram novos recordes históricos, impulsionados pelo alívio geopolítico após sinalizações de reabertura do Estreito de Ormuz, o que reduziu preocupações com o fluxo global de petróleo. O Nasdaq liderou os ganhos entre os principais índices americanos. As bolsas europeias também fecharam no campo positivo, completando um panorama externo que, em outro contexto, teria favorecido o Ibovespa de forma mais clara.
Petróleo despenca e arrasta Petrobras e Brava na B3
O petróleo Brent registrou uma das quedas mais expressivas do dia no mercado de commodities, recuando mais de 7% e rompendo abaixo dos US$ 80 por barril. O movimento impactou diretamente as ações de Petrobras e Brava na B3, que operaram em terreno negativo durante o pregão. A queda da commodity refletiu tanto o alívio sobre Ormuz quanto uma leitura de menor prêmio de risco geopolítico embutido nos preços.
Itaú reporta lucro robusto e anuncia bilhões em JCP
No campo corporativo, o Itaú Unibanco divulgou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado que reforça a solidez do setor bancário brasileiro. O banco também anunciou o pagamento de R$ 7,84 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP). As ações do banco e o humor com o setor financeiro ajudaram a limitar as perdas do Ibovespa no encerramento do pregão.
O próximo pregão será influenciado pelo desdobramento das tensões diplomáticas entre Brasil e EUA, pela trajetória do petróleo após a forte queda desta sessão e pelo comportamento dos juros futuros domésticos, que seguem como termômetro do risco político percebido pelo mercado.





