O Inspetor-Geral do Federal Reserve concluiu não haver base suficiente para encaminhar o caso a autoridades criminais nem evidências de má conduta administrativa relacionadas ao excedente de custos na reforma dos edifícios históricos do banco central americano, localizados no National Mall, em Washington. O relatório, divulgado nesta quarta-feira, encerra a fase investigativa de um episódio que alimentou semanas de pressão política sobre a instituição.

O documento do órgão fiscalizador registra, contudo, que problemas generalizados na supervisão do projeto contribuíram diretamente para que os custos superassem o orçamento original em cerca de US$ 1 bilhão, elevando o valor total da obra a aproximadamente US$ 2,4 bilhões. A fiscalização recomendou medidas corretivas ao Fed com base nas deficiências identificadas na gestão da reforma.

O presidente Donald Trump havia utilizado o estouro orçamentário como um dos principais argumentos em sua campanha para destituir o então chair Jerome Powell, buscando ampliar sua influência sobre os rumos da política monetária americana. A tentativa de demissão de Powell gerou intenso debate jurídico e institucional sobre os limites da autoridade do Executivo sobre o banco central independente. Trump também tenta afastar a diretora do Fed Lisa Cook, em processo separado e distinto do caso investigado pelo Inspetor-Geral.

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Segundo o Valor Econômico, o próprio relatório esclarece que, em nenhum momento da avaliação, os investigadores encontraram razões razoáveis para crer que houve violação de lei penal federal que exigisse comunicação ao procurador-geral. O texto também diferencia as falhas de gestão identificadas de qualquer ato de má conduta pessoal por parte dos envolvidos.

O desfecho da investigação reduz, ao menos temporariamente, um dos vetores de pressão sobre o Fed, embora o ambiente político em torno da instituição siga carregado. A tentativa de interferência na política monetária americana continua sendo monitorada por agentes de mercado globais, dado o peso das decisões do banco central sobre juros, câmbio e fluxos de capital em economias emergentes, incluindo o Brasil.

Editorial BolsaNews

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