A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, três das maiores instituições financeiras globais convergem para uma avaliação semelhante: a bolsa do país opera com desconto em relação ao que seus fundamentos sustentariam, e a definição do cenário político pode funcionar como catalisador para uma reprecificação dos ativos locais.
O JPMorgan estima que o MSCI Brazil é negociado atualmente a 8,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar que o banco situa muito mais próximo de seu cenário interno de deterioração do que do de melhora. Uma transição para um ambiente de maior estabilidade econômica e política implicaria, nos cálculos da instituição, uma valorização de aproximadamente 28% para o índice. Em um cenário mais favorável, rotulado internamente como de ajuste estrutural, o espaço de alta poderia alcançar 54%.
Goldman Sachs e Global X chegam a conclusão semelhante, reforçando a percepção de que investidores internacionais ainda mantêm posições reduzidas no Brasil, o que deixa o mercado exposto a um eventual movimento de realocação caso o ambiente político e fiscal se torne mais previsível após o pleito.
O comportamento recente do MSCI Brazil já reflete a sensibilidade do mercado às pesquisas eleitorais. Desde julho, o índice registrou avanço médio de 0,20% nos pregões em que sondagens e mercados de apostas indicavam ganho de espaço para a oposição. Em setembro, esse efeito se intensificou, com altas médias de 0,72% nas sessões marcadas por movimentos favoráveis aos candidatos de oposição, segundo dados reunidos pela InfoMoney.
Os ativos mais sensíveis à trajetória dos juros figuram entre os que concentram maior atenção dos analistas no atual contexto. A expectativa é que a clareza sobre o ambiente fiscal e monetário no próximo governo seja determinante para o comportamento das ações ao longo dos próximos meses, independentemente de qual direção o resultado eleitoral apontar.
O cenário reforça a percepção de que o mercado brasileiro opera hoje com um prêmio de risco elevado, embutido nos preços há meses e ainda não totalmente dissipado. Para os analistas que acompanham o país, a questão central não é se há desconto, mas se as condições políticas e econômicas pós-eleição serão suficientes para reduzi-lo.
Editorial BolsaNews





