Decisões simultâneas de Fed, Copom, Banco de Inglaterra e BOJ concentram risco em 16 e 17 de setembro; petróleo abre em alta expressiva.

Os mercados globais reabrem sob tensão dupla: o petróleo Brent dispara com preocupações renovadas sobre a oferta no Estreito de Ormuz, enquanto os futuros de Wall Street recuam, pressionados por alertas sobre inteligência artificial. A semana que começa já nasce com a atenção concentrada no que o mercado chama de ‘Super Quarta’, quando Fed e Copom anunciam suas decisões no mesmo dia, mas o roteiro vai além e inclui ainda Banco de Inglaterra e Banco do Japão nos dias seguintes.

Copom e Fed decidem na mesma quarta-feira

O evento central da semana é a coincidência, na quarta-feira dia 16, entre a decisão do Federal Reserve, acompanhada das Projeções Econômicas do FOMC e da coletiva de Jerome Powell, e o segundo dia da reunião do Copom, que definirá o novo patamar da Selic. Qualquer sinalização mais dura ou mais suave de Powell tem potencial de mover câmbio e juros brasileiros ainda antes de a decisão do Copom ser digerida pelo mercado. O Relatório Focus, divulgado na segunda-feira, deverá antecipar como o consenso de mercado está posicionado para ambas as decisões.

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Ativo Variação Valor
Ouro ▼ 0,61% 4.382
Petroleo Brent ▲ 2,86% 107,60
Dow Jones Futuros ▼ 0,27% 52.434
S&P Futuros ▼ 0,53% 7.619

Às 20h20 (Horário de Brasília)13/09/2026

Petróleo em alta acende alerta para inflação global

O Brent abre a semana em alta expressiva, em torno de quase 3%, com o pano de fundo de novos riscos geopolíticos no Golfo Pérsico. Segundo o Valor Econômico, novos ataques à infraestrutura da região têm potencial de reduzir em até 4% a oferta global de petróleo. O movimento pressiona expectativas de inflação em economias importadoras e pode complicar a comunicação dos bancos centrais que se reúnem ao longo da semana, incluindo o próprio Fed.

Banco de Inglaterra e BOJ completam semana de bancos centrais

Na quinta-feira, o Banco de Inglaterra anuncia sua decisão de política monetária, com divulgação das votações do MPC e do ‘Official Bank Rate’. No dia anterior, dados de IPC do Reino Unido podem condicionar a leitura do mercado britânico sobre o ritmo de cortes. Na sexta-feira, o Banco do Japão divulga sua declaração de política e realiza coletiva de imprensa, completando o painel mais denso de decisões monetárias simultâneas em meses, o que amplia a volatilidade esperada para ativos de risco globais.

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Ruído interno no STF e tensão diplomática entram no radar

No front doméstico, o ambiente político-institucional adiciona incerteza ao humor dos mercados. O julgamento de caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no STF, marcado para a semana, e a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, que segundo a imprensa está travando a cooperação contra o crime organizado, são fatores que o mercado monitora como fontes de volatilidade para o câmbio e ativos brasileiros, ainda que seu impacto imediato seja difícil de quantificar.

IA e China seguem como vetores de risco para tech

Novos alertas sobre os limites do avanço da inteligência artificial pesaram sobre os futuros de Nova York na abertura. O CEO da Anthropic classificou a China como o ‘dilema mais difícil’ no debate sobre desaceleração da IA, sinalização que o mercado de tecnologia acompanha de perto dado o peso do setor nos índices americanos. A semana será um teste sobre se o recuo nos futuros representa apenas ajuste técnico ou reflete uma reavaliação mais ampla do prêmio de crescimento embutido nas big techs.

Agenda da Semana

  • Copom (Selic) Reuniao em 15-16 de setembro de 2026. Ata em 22 de setembro de 2026 (08h).
  • Relatório Focus (BC) Segunda-feira, 08h25.
  • 🇬🇧 Variação dos pedidos de auxílio-desemprego
  • 🇬🇧 IPC (anual)
  • 🇺🇸 Federal Funds Rate
  • 🇺🇸 FOMC Economic Projections
  • 🇺🇸 FOMC Statement
  • 🇺🇸 FOMC Press Conference
  • 🇬🇧 Monetary Policy Summary
  • 🇬🇧 MPC Official Bank Rate Votes
  • 🇬🇧 Official Bank Rate
  • 🇯🇵 BOJ Policy Rate
  • 🇯🇵 Monetary Policy Statement
  • 🇯🇵 BOJ Press Conference

Com decisões de quatro bancos centrais em três dias, petróleo em alta e ruído político interno, a semana que começa exige atenção redobrada dos agentes de mercado. A ‘Super Quarta’ será o ponto focal, mas o ambiente de volatilidade deve se estender até o final da semana, quando o Banco do Japão encerra o ciclo de anúncios. O mercado brasileiro abre segunda-feira de olho no Focus para calibrar as apostas.