Alta do petróleo Brent acima de 4% sustentou Petrobras e limitou perdas do índice, mas pressão cambial e Treasuries pesaram no humor global.
O Ibovespa fechou a segunda-feira em queda discreta, sem força suficiente para sustentar terreno positivo apesar do desempenho favorável de Petrobras. O dólar avançou, refletindo o aumento da aversão a risco global após a troca de exigências entre Irã e EUA elevar as tensões geopolíticas no Oriente Médio. O ambiente externo adverso, marcado pela pressão nos rendimentos dos Treasuries e pelo recuo das bolsas americanas, ditou o tom do pregão.
Petróleo dispara, mas Petrobras não salva o Ibovespa
O petróleo Brent registrou alta superior a 4% no dia, impulsionado pela escalada nas negociações entre Irã e Estados Unidos, que trocaram exigências de indenização e aumentaram a percepção de risco sobre o fornecimento global da commodity. Petrobras operou em alta expressiva, em torno de 3%, e chegou a sustentar o índice por parte do pregão. Ainda assim, o peso de outros setores em queda impediu que essa valorização se traduzisse em ganho para o Ibovespa, que encerrou marginalmente no vermelho.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Dólar | ▲ 0,57% | 5,113 |
| Ibovespa | ▼ 0,19% | 172.180 |
| Dow Jones | ▼ 0,11% | 53.976 |
| S&P 500 | ▼ 0,06% | 7.753 |
| Nasdaq | ▼ 0,32% | 26.605 |
| Stoxx 600 | ▼ 0,04% | 660,45 |
| FTSE 100 | ▼ 0,35% | 10.862 |
| Petróleo Brent | ▲ 4,09% | 87,85 |
| Bitcoin | ▼ 1,22% | 64.056 |
| T-Note 10 anos (yield) | ▲ 0,84% | 4,699 |
Às 18h30 (Horário de Brasília)10/08/2026
Treasuries e tensão geopolítica pressionam o câmbio
O yield do T-Note de 10 anos voltou a avançar, operando próximo a 4,70% ao ano, nível que reforça o diferencial de juros favorável ao dólar e reduz o apetite por ativos de maior risco em mercados emergentes. O câmbio brasileiro reagiu a esse movimento, com o dólar encerrando acima de R$ 5,10. A combinação de juros americanos elevados e geopolítica aquecida configurou o principal vetor de pressão sobre o real ao longo do pregão.
Embraer supera R$ 100 após balanço acima do esperado
No âmbito corporativo doméstico, Embraer (EMBJ3) foi destaque positivo do dia ao superar a marca de R$ 100 por ação após divulgar resultados acima das expectativas do mercado. O balanço favorável impulsionou os papéis da fabricante de aeronaves e representou um contraponto à cautela que predominou no restante do índice. Já a JBS reportou prejuízo de US$ 102 milhões no segundo trimestre, embora a receita tenha atingido um recorde, combinação que gerou leitura mista pelo mercado.
Wall Street cede com pressão de juros e petróleo alto
As bolsas de Nova York encerraram com perdas moderadas, segundo o Valor Econômico, pressionadas pelo duplo impacto da alta do petróleo, que eleva perspectivas inflacionárias, e do avanço dos rendimentos dos Treasuries. O Nasdaq foi o índice com desempenho mais fraco entre as principais referências americanas. O movimento de aversão a risco em Nova York contaminou o humor nos mercados emergentes, incluindo o Brasil, e contribuiu para o fechamento negativo do Ibovespa.
O mercado encerra a sessão de olho no desenvolvimento das negociações entre Irã e Estados Unidos, que devem continuar influenciando o preço do petróleo e o apetite global por risco. No front doméstico, o comportamento do câmbio e eventuais novas leituras sobre o cenário fiscal seguem como variáveis centrais para o próximo pregão.





