O Ministério da Fazenda reduziu em 0,3 ponto percentual sua projeção de crescimento para a economia brasileira em 2026, de 2,3% para 2%, conforme o Boletim Macrofiscal divulgado nesta semana pela pasta. O recuo reflete uma leitura mais cautelosa sobre o desempenho dos setores de serviços e da indústria ao longo do próximo ano, em movimento que a agropecuária ameniza, mas não reverte por completo.

No caso dos serviços, a Fazenda atribui a revisão ao carrego estatístico mais fraco deixado pelo primeiro semestre de 2025 e à transmissão, ainda com defasagem, dos efeitos da política monetária sobre a demanda doméstica. A combinação de juros elevados e desaceleração do consumo tende a comprimir a expansão do setor, que responde pela maior parcela do PIB nacional.

No campo da inflação, a projeção para 2025 foi reduzida de 5,1% para 4,9%. O principal fator que justifica o ajuste é o comportamento do IPCA em julho, que veio abaixo do esperado, puxado especialmente pelos grupos de alimentação no domicílio e de serviços. A política monetária contracionista e a expectativa de arrefecimento da atividade no segundo semestre também contribuíram para a nova estimativa, de acordo com o Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda.

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O horizonte de 2027 também foi revisado. A Fazenda reduziu a expectativa de crescimento do PIB de 2,5% para 2,3%, sinalizando um ciclo de expansão mais moderado à frente. Em sentido oposto, a projeção de inflação para aquele ano subiu de 3,6% para 3,8%, com o governo indicando que o fenômeno El Niño deve pressionar colheitas e, por consequência, os preços de alimentos.

O conjunto das revisões reforça o cenário de desaceleração gradual da economia brasileira nos próximos dois anos, sustentado por condições financeiras mais restritivas e incertezas climáticas que pesam sobre o setor agropecuário no médio prazo. Analistas acompanham as atualizações do boletim como referência para calibrar projeções de atividade e de trajetória fiscal do governo federal.

Editorial BolsaNews

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