Bolsa brasileira acumula 11 pregões consecutivos no campo negativo no mês, pressionada por juros elevados nos EUA e aversão a risco global.
O Ibovespa fechou o pregão em queda, acumulando agora 11 sessões consecutivas de baixa no mês, marca que evidencia a persistência do ambiente adverso. O dólar avançou em linha com o movimento global de aversão a risco, enquanto as bolsas americanas também cederam, puxadas pelo peso dos juros longos dos Treasuries em níveis elevados. A tentativa de virada da bolsa brasileira no final da tarde não foi suficiente para reverter o sinal negativo do dia.
Treasuries elevados derrubam Wall Street e pressionam emergentes
O principal vetor de pressão sobre os mercados globais nesta sessão seguiu sendo o nível dos juros longos americanos. Com os yields dos Treasuries de 10 anos ainda em patamar historicamente elevado, mesmo com leve recuo no dia, o custo de oportunidade para ativos de risco permanece alto, o que penalizou as bolsas de Nova York, com o Nasdaq registrando a queda mais expressiva entre os índices americanos. O movimento se transmitiu diretamente ao Ibovespa e ao câmbio doméstico, mantendo o dólar em alta.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Dólar | ▲ 0,17% | 5,213 |
| Ibovespa | ▼ 0,27% | 166.335 |
| Dow Jones | ▼ 0,22% | 53.343 |
| S&P 500 | ▼ 0,69% | 7.692 |
| Nasdaq | ▼ 1,33% | 26.290 |
| Stoxx 600 | ▼ 0,78% | 651,90 |
| FTSE 100 | ▲ 0,07% | 10.728 |
| Petróleo Brent | ▼ 0,18% | 91,27 |
| Bitcoin | ▲ 0,16% | 64.580 |
| T-Note 10 anos (yield) | ▼ 0,38% | 4,706 |
Às 18h30 (Horário de Brasília)18/08/2026
Ibovespa tenta virada, mas falha e fecha no negativo
A bolsa brasileira chegou a esboçar recuperação no trecho final do pregão, mas não conseguiu sustentar o movimento e encerrou o dia em território negativo. A sequência de 11 pregões de queda consecutivos no mês é um sinal de que os fatores estruturais de pressão, como juros altos nos EUA, dólar fortalecido e cautela com o cenário fiscal doméstico, ainda pesam mais do que eventuais fluxos pontuais de entrada. As taxas dos DIs, por sua vez, fecharam próximas da estabilidade, sem oferecer novo impulso para o mercado de renda variável local.
Petróleo sobe com tensões em Ormuz; Bitcoin resiste com fluxo em ETFs
No mercado de commodities, o petróleo Brent operou em terreno positivo durante boa parte do dia, sustentado pela escalada de tensões no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, que alimentam preocupações com a oferta global. Já o Bitcoin apresentou leve alta, sustentado pelo registro de fluxo positivo em ETFs de criptoativos, movimento que contrasta com a cautela generalizada nos demais mercados de risco e sinaliza demanda pontual pelo ativo digital.
Cosan anuncia saída da Bolsa de Nova York
No radar corporativo doméstico, a Cosan notificou a Bolsa de Nova York sobre a intenção de deslistar seus papéis do mercado americano, segundo o Valor Econômico. A movimentação acrescenta um elemento de atenção para investidores que acompanham o papel, embora o impacto imediato sobre o Ibovespa seja limitado. No campo regulatório, a CVM confirmou que julgará em setembro o caso que apura suposta fraude envolvendo um FII ligado ao Banco Master, processo que o mercado de fundos imobiliários acompanha de perto.
Com 11 sessões de queda acumuladas no mês, o mercado brasileiro chega ao próximo pregão ainda sob vigilância do comportamento dos juros americanos e do câmbio. O nível do dólar e eventuais sinais do ambiente fiscal doméstico devem seguir no centro das atenções dos operadores na abertura de amanhã.





