Treasuries de 30 anos atingem maior nível desde 2007 após manutenção dos juros americanos, pressionando bolsas globais e derrubando Wall Street mais de 2%.

O Ibovespa fechou em baixa acentuada, na mínima do dia, após o Federal Reserve manter a taxa de juros nos Estados Unidos e os rendimentos dos Treasuries dispararem para patamares não vistos em quase duas décadas. O dólar terminou o dia com leve recuo frente ao real, em movimento dissociado da aversão ao risco predominante no exterior. O cenário externo hostil ditou o tom do pregão doméstico.

Fed mantém juros e Treasuries disparam ao maior nível desde 2007

O principal vetor de pressão do dia foi a decisão do Federal Reserve de manter os juros inalterados, que veio acompanhada de uma reação intensa nos mercados de renda fixa americanos. Conforme informou o InfoMoney, os Treasuries de 30 anos atingiram o maior nível desde 2007, elevando o custo de oportunidade global e deslocando capital de ativos de risco. O movimento contaminou bolsas ao redor do mundo, com Wall Street registrando forte baixa: o Dow Jones recuou mais de 2% e o S&P 500 acompanhou as perdas em escala similar.

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Ativo Variação Valor
Dólar ▼ 0,18% 5,117
Ibovespa ▼ 1,52% 173.885
Dow Jones ▼ 2,19% 51.594
S&P 500 ▼ 1,52% 7.316
Nasdaq ▼ 1,74% 24.443
Stoxx 600 ▼ 0,33% 645,01
FTSE 100 ▲ 0,34% 10.908
Petróleo Brent ▲ 3,11% 90,54
Bitcoin ▼ 0,55% 63.498
T-Note 10 anos (yield) ▲ 0,39% 4,622

Às 18h30 (Horário de Brasília)29/07/2026

Petrobras sobe, Santander Brasil desaba: internos divididos

No âmbito doméstico, o mercado operou com sinais mistos entre as ações de maior peso. Segundo o InfoMoney, as ações da Petrobras (PETR4) subiram cerca de 2%, sustentadas pela alta do petróleo Brent, que superou US$ 90 o barril acumulando valorização superior a 3% na sessão, e por dados de produção recorde da companhia. No sentido oposto, os papéis do Santander Brasil desabaram 7% após o banco reportar seu menor lucro desde 2023 no segundo trimestre, segundo o InfoMoney, pesando sobre o setor financeiro dentro do índice.

Juros futuros locais sobem com pressão dos Treasuries

A curva de juros brasileira não ficou imune ao estresse externo. Conforme apurado pelo Valor Econômico, os juros futuros (DIs) fecharam sem direção única, mas com altas leves, seguindo o movimento dos Treasuries americanos. O mercado de renda fixa doméstico absorveu parte do impacto, sem traduzir a pressão externa em um movimento mais abrupto, reflexo de uma dinâmica fiscal local que segue sendo monitorada de perto pelos participantes do mercado.

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Microsoft alivia, mas não sustenta Wall Street no positivo

Do lado corporativo americano, a Microsoft divulgou resultados que superaram as estimativas de crescimento em sua divisão de nuvem, conforme reportou o InfoMoney, oferecendo um contraponto momentâneo ao pessimismo do pregão. O alívio, porém, não foi suficiente para reverter a pressão gerada pela combinação de postura cautelosa do Fed e Treasuries em alta, e as bolsas de Nova York mantiveram as perdas até o encerramento.

O pregão deixa como herança um ambiente de maior cautela para as próximas sessões: a combinação de juros americanos elevados por mais tempo, rendimentos dos Treasuries em máximas históricas e volatilidade nos balanços corporativos tende a manter o apetite por risco comprimido. O mercado brasileiro acompanhará de perto qualquer sinalização adicional vinda do Fed, além do desdobramento dos resultados do segundo trimestre das empresas listadas na B3.