Bolsa brasileira perde mais de 1% no pregão enquanto petróleo salta mais de 5% e yield do Treasury de 10 anos se aproxima de 4,67%

O Ibovespa fechou o pregão desta tarde com queda expressiva, acima de 1%, num dia marcado pela pressão dos juros longos nos Estados Unidos e pela cautela do mercado em relação à trajetória do Fed. O dólar, em contramão, recuou frente ao real, movimento que o mercado interpreta como reação ao ciclo doméstico de política monetária após o Copom. A combinação de bolsa em baixa e câmbio em queda reflete dinâmicas distintas operando simultaneamente no mercado local.

Fed no radar pressiona juros e derruba bolsa

O principal vetor de pressão sobre o Ibovespa veio do exterior. O yield do Treasury americano de 10 anos avançou para a faixa de 4,67%, sinalizando que o mercado global segue reavaliando o ritmo de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve. Esse movimento elevou os juros futuros domésticos em cadeia e pesou sobre ativos de risco no Brasil, padrão recorrente quando o custo do dinheiro nos EUA sobe e reduz o apetite por emergentes.

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Ativo Variação Valor
Dólar ▼ 0,27% 5,108
Ibovespa ▼ 1,23% 175.546
Dow Jones ▼ 0,85% 53.885
S&P 500 ▼ 0,18% 7.710
Nasdaq ▼ 0,06% 26.348
Stoxx 600 ▲ 0,18% 658,19
FTSE 100 ▼ 0,19% 10.868
Petróleo Brent ▲ 5,27% 83,55
Bitcoin ▼ 0,31% 64.397
T-Note 10 anos (yield) ▲ 1,15% 4,670

Às 18h30 (Horário de Brasília)06/08/2026

Petróleo dispara mais de 5% e reacende debate sobre inflação

Um dos movimentos mais expressivos do dia veio das commodities: o Brent avançou mais de 5%, ultrapassando os US$ 83 por barril. A alta reacende preocupações inflacionárias globais e pode complicar o trabalho dos bancos centrais que ainda buscam ancorar expectativas de preços. Para o Brasil, o movimento é de dupla face, beneficia exportadores ligados ao setor, mas pressiona o cenário fiscal e de combustíveis, tema que o governo já monitora no contexto do projeto de redução tributária sobre combustíveis previsto para 2026.

Resultados corporativos trazem sinais mistos no trimestre

A temporada de balanços do segundo trimestre seguiu movimentando papéis individuais. No campo positivo, Fleury (FLRY3) reportou alta de 45% no lucro líquido, a R$ 221,8 milhões, e o Assaí (ASAI3) surpreendeu com salto de 121% no lucro, chegando a R$ 484 milhões, desempenhos que contrastaram com o ambiente negativo do pregão. Do lado oposto, a Tupy reverteu lucro e registrou prejuízo no trimestre, e a Eztec apresentou queda de 21% no lucro anual, a R$ 110,4 milhões, segundo o Valor Econômico. O resultado da Unipar também decepcionou na comparação anual, com queda de 47% no lucro.

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Dólar cede após Copom; bolsas europeias sustentam leve alta

Enquanto a bolsa brasileira recuava, o dólar operou em queda frente ao real, movimento interpretado pelo mercado como efeito do posicionamento do Copom, que sinaliza manutenção do ciclo de juros elevados no Brasil e sustenta o diferencial com o exterior. Na Europa, o Stoxx 600 fechou em leve alta, descolando parcialmente das perdas vistas em Wall Street, onde Dow Jones e S&P 500 encerraram no vermelho, ainda que com perdas moderadas.

O próximo pregão será monitorado de perto à luz dos desdobramentos no mercado de juros americano e da continuidade da temporada de balanços domésticos. O comportamento do petróleo após a forte alta desta sessão e eventuais sinalizações de política monetária nos dois lados do Atlântico devem seguir como balizadores centrais do humor do mercado.