Ação da Casas Bahia despencou mais de 33% após pedido de recuperação judicial, enquanto petróleo avançou mais de 2,7% com descoberta da Petrobras no Amapá.

O Ibovespa encerrou o pregão desta tarde em queda marginal, acumulando o décimo recuo consecutivo, sequência que reflete a combinação de pressão vinda do setor bancário doméstico e de um ambiente externo desfavorável, com juros americanos elevados pesando sobre ativos de risco. O dólar cedeu levemente frente ao real, sem alterar de forma significativa o quadro de cautela que dominou a sessão.

Décima queda seguida: bancos lideram pressão no índice

O Ibovespa chegou ao décimo pregão no vermelho em sequência, movimento que reflete a deterioração gradual do humor com ativos domésticos. O setor bancário figurou entre os principais vetores de pressão no índice, num contexto em que os juros futuros, embora tenham recuado levemente na sessão em movimento de correção técnica, ainda operam em patamar elevado, limitando o apetite por risco. O exterior tampouco ofereceu alívio: Wall Street fechou no vermelho, com S&P 500 e Dow Jones cedendo, e o yield do Treasury de 10 anos avançou para a faixa de 4,72%, reforçando a aversão a ativos emergentes.

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Ativo Variação Valor
Dólar ▼ 0,42% 5,204
Ibovespa ▼ 0,09% 166.784
Dow Jones ▼ 0,51% 53.460
S&P 500 ▼ 0,52% 7.745
Nasdaq ▼ 0,32% 26.645
Stoxx 600 ▼ 0,21% 656,41
FTSE 100 ▼ 0,28% 10.720
Petróleo Brent ▲ 2,71% 91,10
Bitcoin ▲ 2,30% 64.278
T-Note 10 anos (yield) ▲ 0,60% 4,724

Às 18h30 (Horário de Brasília)17/08/2026

Casas Bahia em recuperação judicial: BHIA3 desaba 33%

O evento corporativo mais impactante do dia foi o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que provocou uma derrocada superior a 33% nas ações BHIA3, que chegaram a ser negociadas abaixo de R$ 0,50. O movimento concentrou atenções e reforçou a percepção de fragilidade em empresas do varejo com balanços pressionados pelo endividamento elevado. A situação levanta dúvidas sobre o impacto para fornecedores, credores e consumidores com contratos ativos.

Petrobras confirma petróleo no Amapá; Brent dispara

A Petrobras confirmou a descoberta de petróleo na área de Foz do Amazonas, no Amapá, anúncio que o presidente da companhia celebrou publicamente. O fato ocorreu num dia já favorável para o petróleo: o Brent avançou mais de 2,7%, o que em outros contextos tenderia a beneficiar os papéis da estatal. No entanto, o ambiente de queda generalizada no índice limitou o potencial de ganho para o setor. A descoberta pode ter desdobramentos relevantes para o portfólio exploratório da empresa nos próximos trimestres.

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Oncoclínicas sobe 30%; XP planeja banco nos EUA

Nem só de perdas foi feito o pregão: as ações da Oncoclínicas (ONCO3) dispararam cerca de 30%, movimento que o mercado processou com cautela dado que veio acompanhado de resultado com prejuízo relevante, o que sugere que fatores técnicos ou expectativas de reestruturação podem ter influenciado a alta. No campo corporativo, segundo o Valor Econômico, a XP revelou planos de abrir um banco nos Estados Unidos, sinalizando expansão internacional da operação. O Bitcoin também operou em alta superior a 2%, sem catalisador doméstico claro.

Com dez quedas consecutivas no Ibovespa e uma sessão marcada por episódios corporativos de alta volatilidade, o mercado brasileiro encerra o dia em compasso de espera. O exterior, especialmente o comportamento dos rendimentos dos Treasuries e o humor em Wall Street, deve continuar ditando boa parte do ritmo doméstico no próximo pregão, junto ao monitoramento de dados econômicos locais que podem influenciar as expectativas para a trajetória dos juros.