Sequência negativa do índice só ocorreu sete vezes desde 2000; fluxo de saída de estrangeiros segue como principal pressão sobre o mercado local.
O Ibovespa fechou em queda pelo oitavo pregão consecutivo, uma sequência que raramente se repete na história recente da bolsa, algo ocorrido apenas sete vezes desde o ano 2000. O dólar, após subir nas quatro sessões anteriores, cedeu levemente e ficou próximo de R$ 5,18. O principal vetor de pressão sobre o mercado local seguiu sendo a saída de investidores estrangeiros, enquanto balanços corporativos mistos adicionaram volatilidade a papéis específicos.
Wall Street avança com inflação ao produtor comportada
O alívio externo veio dos Estados Unidos, onde o índice de preços ao produtor (PPI) saiu abaixo das expectativas, reforçando a leitura de que a desinflação segue em curso. S&P 500 e Nasdaq registraram altas mais expressivas, enquanto o yield do Treasury de 10 anos recuou, aliviando parte da pressão sobre ativos de risco globais. A Fitch reafirmou o rating dos EUA em ‘AA+’ com perspectiva estável, sem surpresas para o mercado.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Dólar | ▼ 0,13% | 5,184 |
| Ibovespa | ▼ 0,23% | 167.101 |
| Dow Jones | ▲ 0,13% | 53.840 |
| S&P 500 | ▲ 0,65% | 7.799 |
| Nasdaq | ▲ 0,81% | 26.803 |
| Stoxx 600 | ▲ 0,01% | 659,24 |
| FTSE 100 | ▼ 0,56% | 10.773 |
| Petróleo Brent | ▼ 1,70% | 86,96 |
| Bitcoin | ▼ 0,03% | 63.392 |
| T-Note 10 anos (yield) | ▼ 0,88% | 4,641 |
Às 18h30 (Horário de Brasília)13/08/2026
Saída de estrangeiros e juros futuros pesam sobre o Brasil
No mercado doméstico, o fluxo de saída de capital estrangeiro continuou sendo o principal fator de pressão sobre o Ibovespa e o câmbio. Os juros futuros, que chegaram a ensaiar alívio no início do dia, não sustentaram a melhora e passaram a subir, segundo o Valor Econômico, em linha com a tendência local de deterioração das expectativas fiscais. O ambiente segue marcado pela ausência de medidas concretas de ajuste das contas públicas desde o fim do teto de gastos.
Balanços movimentam ações individuais com intensidade
O noticiário corporativo gerou movimentos expressivos em papéis específicos. As ações do Banco do Brasil caíram cerca de 4% mesmo com lucro acima das projeções, refletindo cautela do mercado com a qualidade dos resultados e perspectivas de inadimplência. Na ponta oposta, MRV saltou mais de 14% apesar de registrar prejuízo de R$ 626 milhões, com o mercado reagindo positivamente a sinais operacionais da companhia. Sabesp, Copasa e Equatorial também recuaram após balanços do segundo trimestre que desagradaram investidores, enquanto CSN avançou e CSN Mineração caiu cerca de 5% em movimento que surpreendeu parte do mercado.
Petróleo cai e commodities ficam em segundo plano
O petróleo Brent recuou cerca de 1,7% no dia, operando abaixo de US$ 87 por barril, sem impacto significativo sobre as ações ligadas ao setor no fechamento. O Bitcoin ficou praticamente estável. O Stoxx 600 europeu encerrou perto da neutralidade, enquanto o FTSE 100 londrino registrou queda mais relevante, sem catalisadores domésticos de destaque para o mercado local.
O mercado brasileiro encerra o dia com a atenção dividida entre o fluxo de estrangeiros, que segue determinante para o comportamento do Ibovespa e do câmbio, a temporada de balanços do segundo trimestre, ainda em curso, e o cenário fiscal doméstico, que permanece como pano de fundo de pressão estrutural. O próximo pregão deve continuar repercutindo resultados corporativos e os desdobramentos do ambiente externo.





