Os contratos futuros das principais bolsas norte-americanas recuam nesta terça-feira, em sessão marcada pela pressão exercida pelo avanço do petróleo Brent, que se aproxima da marca de US$ 100 por barril. A valorização da commodity reacende o debate sobre persistência inflacionária e estreita o horizonte para uma eventual reversão da política monetária restritiva nos Estados Unidos.

No campo da política monetária, o mercado precifica, com probabilidade de 60%, uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião da próxima semana, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group. A combinação de petróleo em alta e expectativas de juros mais elevados por mais tempo contribui para deteriorar o apetite por risco nos mercados globais.

O cenário é agravado pelo acirramento das disputas comerciais entre Estados Unidos e Canadá. Nesta terça-feira, entraram em vigor tarifas retaliatórias canadenses sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos norte-americanos, com alíquotas que variam entre 15% e 50%. A medida representa uma resposta direta às políticas protecionistas adotadas pelo governo Trump, que na véspera ameaçou vedar a comercialização de aeronaves da fabricante canadense Bombardier no mercado americano caso a empresa não transfira sua produção para o país.

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Segundo a Bloomberg Markets, a alta do petróleo também alimenta preocupações sobre a oferta global da commodity, sustentando a valorização das ações do setor de petróleo e gás, que operam na contramão do movimento negativo predominante nas bolsas. Na Europa, os principais índices registram perdas generalizadas, com destaque para o SMI, referência da bolsa suíça, que lidera as quedas com recuo de 1,3%.

Para os mercados brasileiros, o cenário de juro elevado por mais tempo nos EUA tende a manter pressão sobre ativos de risco e sobre o fluxo de capital estrangeiro para economias emergentes. A combinação de petróleo em alta, tensão comercial e postura restritiva do Fed configura um pano de fundo desafiador para ativos globais ao longo da semana.

Editorial BolsaNews

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