Yield do T-Note de 10 anos avança quase 1% no dia, pressionando ativos de risco globalmente; petróleo Brent dispara mais de 10% com tensões no Oriente Médio.
O mercado brasileiro encerrou o dia no vermelho, com o Ibovespa recuando perto de 1% e o dólar renovando alta frente ao real, superando R$ 5,19. O principal vetor do movimento foi a pressão vinda dos juros longos nos Estados Unidos, com o yield do Treasury de dez anos em nível elevado, somada ao ambiente de cautela fiscal no Brasil, que limitou o apetite por risco ao longo de toda a sessão.
Treasuries em alta exportam pressão para mercados emergentes
O avanço do yield do T-Note de dez anos americano, que operou próximo de 5,16% ao longo do dia, funcionou como fator de aversão a risco global, penalizando especialmente mercados emergentes como o Brasil. O movimento reflete a leitura de que o Federal Reserve pode manter juros elevados por mais tempo, o que reduz o diferencial de atratividade de ativos em reais frente ao dólar e estimula saída de capital de mercados como o brasileiro.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Dólar | ▲ 0,53% | 5,191 |
| Ibovespa | ▼ 0,99% | 183.966 |
| Dow Jones | ▼ 0,31% | 51.350 |
| S&P 500 | ▼ 0,02% | 7.704 |
| Nasdaq | ▲ 0,01% | 26.939 |
| Stoxx 600 | ▼ 0,62% | 636,43 |
| FTSE 100 | ▼ 0,24% | 10.680 |
| Petróleo Brent | ▲ 10,09% | 107,03 |
| Bitcoin | ▲ 0,03% | 84.406 |
| T-Note 10 anos (yield) | ▲ 0,94% | 5,162 |
Às 18h30 (Horário de Brasília)24/09/2026
Petróleo dispara mais de 10% com negociações EUA-Irã no radar
O petróleo Brent encerrou o dia com alta expressiva, superando os US$ 107 por barril, valorização de mais de 10% na sessão. O movimento foi impulsionado pelo monitoramento das negociações entre Estados Unidos e Irã, que elevaram a percepção de risco de oferta no mercado global de energia. Papéis do setor no Ibovespa foram acompanhados de perto, com a Petrobras sob influência direta da commodity, embora o índice não tenha conseguido se beneficiar do impulso diante do peso do exterior adverso.
Farmacêuticas despencam após movimento do Mercado Livre no setor
Ações de redes farmacêuticas como RD, Pague Menos e Panvel registraram quedas de até 8% no pregão, segundo o InfoMoney, após o Mercado Livre sinalizar expansão de atuação no setor. O movimento gerou forte pressão competitiva percebida pelo mercado sobre as margens das redes tradicionais de varejo farmacêutico, concentrando as maiores baixas do dia entre os papéis do segmento.
Cenário político doméstico adiciona ruído ao pregão
O noticiário político também esteve presente no radar do mercado ao longo do dia. Dados do Datafolha sobre intenções de voto nas eleições estaduais em São Paulo e Pernambuco, além de desdobramentos da operação do CNJ envolvendo magistrado citado no caso Vorcaro, mantiveram o ambiente doméstico carregado. Esse conjunto de fatores contribuiu para a cautela dos investidores, que preferiram reduzir exposição a ativos domésticos em dia de pressão externa.
O pregão desta quinta-feira deixou como legado uma combinação de fatores que tende a permanecer no radar: o nível dos juros longos americanos, a trajetória do petróleo e o humor fiscal doméstico. O próximo pregão deve ser influenciado por eventuais novos desdobramentos no Oriente Médio e por qualquer sinalização adicional de membros do Fed sobre o caminho dos juros nos Estados Unidos.





