Ata do Fed mais hawkish, yields americanos em alta e cenário eleitoral doméstico pressionaram o pregão desta quarta-feira.
O Ibovespa fechou em queda pelo segundo pregão seguido, com o índice recuando perto de 0,74% e retornando à casa dos 204 mil pontos. O dólar acompanhou o movimento e voltou a operar acima dos R$ 5, refletindo um cenário externo desfavorável combinado à incerteza eleitoral doméstica. O principal gatilho do dia veio dos Estados Unidos, onde a ata do Federal Reserve reforçou um tom mais preocupado com a inflação.
Fed mais hawkish derruba bolsas e eleva yields globais
A divulgação da ata do Fed foi o evento central do dia nos mercados internacionais. O documento revelou que os membros do comitê estão mais atentos à persistência da inflação americana, abrindo espaço para mais uma alta de juros ainda neste ano. O yield do Treasury de 10 anos avançou para o patamar de 5,28%, nível que historicamente eleva o custo de oportunidade de ativos de risco em todo o mundo, incluindo a bolsa brasileira. Wall Street fechou no vermelho, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq todos recuando, enquanto as bolsas europeias também cederam, com o Stoxx 600 entre as maiores quedas do dia.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Dólar | ▲ 0,79% | 5,022 |
| Ibovespa | ▼ 0,74% | 204.302 |
| Dow Jones | ▼ 0,66% | 51.180 |
| S&P 500 | ▼ 0,22% | 7.802 |
| Nasdaq | ▼ 0,22% | 27.539 |
| Stoxx 600 | ▼ 1,02% | 630,25 |
| FTSE 100 | ▼ 0,79% | 10.458 |
| Petróleo Brent | ▼ 0,60% | 100,95 |
| Bitcoin | ▼ 2,66% | 83.268 |
| T-Note 10 anos (yield) | ▲ 0,15% | 5,277 |
Às 18h30 (Horário de Brasília)07/10/2026
Vale e bancos puxam Ibovespa para baixo
No âmbito doméstico, as ações de Vale e dos grandes bancos figuraram entre os principais vetores de queda do Ibovespa. O petróleo Brent operou em baixa, contribuindo para um ambiente menos favorável às commodities. Na contramão, GPA (PCAR3) destacou-se positivamente, com alta de cerca de 4% após um tribunal homologar o plano de recuperação extrajudicial da companhia, movimento pontual que não foi suficiente para segurar o índice.
Petrobras arremata blocos; STF impõe derrota fiscal de R$ 16,5 bi
O noticiário corporativo e fiscal também movimentou o mercado. A Petrobras arrematou 12 blocos exploratórios na Bacia de Campos com lances de quase R$ 3 bilhões, em rodada que deve render ao governo R$ 3,5 bilhões com a oferta total de 55 blocos, segundo o Valor Econômico. No campo fiscal, o STF decidiu excluir créditos de ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, impondo uma derrota estimada em R$ 16,5 bilhões à União, decisão que adiciona ruído ao quadro das contas públicas e pode ser monitorada nos próximos pregões.
Eleições e bitcoin reforçam tom de cautela
O cenário eleitoral doméstico seguiu no radar dos investidores, com as taxas longas dos juros apresentando leves altas puxadas também pelo exterior, sinalizando que o mercado mantém prêmio de risco embutido nos vértices mais longos da curva. No campo dos ativos digitais, o bitcoin recuou mais de 2,5%, operando abaixo dos US$ 84 mil, movimento que reflete a aversão global a risco diante da perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
O pregão desta quarta-feira consolidou um ambiente de maior cautela, com o mercado brasileiro respondendo simultaneamente a pressões externas, como juros americanos em alta e Fed hawkish, e a ruídos domésticos de natureza fiscal e eleitoral. O próximo pregão deverá seguir monitorando o comportamento dos yields americanos e eventuais desdobramentos do cenário político interno, fatores que tendem a continuar ditando a direção do Ibovespa e do câmbio nas próximas sessões.





